Saudade que mata...

quarta-feira, 5 de agosto de 2009
Olhando fotos antigas. Momentos de nostalgia profunda. Já não sei mais acordar sem dor, ter um dia sem sofrer. Estranho isso. Encontrar na dor, no sofrimentos, uma ânsia de vida, uma insaciedade de viver.

Resolvi apasiguar esse sentimento de que não fiz tudo que deveria, de que as coisas não estão certas. Sinto falta do Didi. Cada dia mais. É uma dor avassaladora, que me consome. O que mais me desgasta é o fato de eu ter que parecer estar bem, ter que me mostrar forte, dizer que já passou. Não, não passou! E não vai passar, droga! E não, eu não sou forte! Eu não sou auto-suficiente! Eu preciso desabafar sim! Eu quero chorar, quero gritar, quero jogar tudo pro alto e dizer que preferia ter morrido no lugar dele! Porque é que ter 18 anos significa que eu tenho que ser responsável, sensata e coerente?

Então não considere essas palavras a nenhum de vocês (se é que alguém lê xD), isso vai ser só uma espécie de carta ao Didi.


Não se passa um único dia que eu não pense em você, vô. Minhas melhores lembranças estão todas ao seu lado, porque minha infância foi marcada pela sua presença constante. Então como eu poderia colocar em palavras todo amor que eu sinto por você? Eu não tive estrutura emocional pra te dizer adeus. Ainda não consigo acreditar na idéia de chegar pra uma visita e não te encontrar no quarto, calado, fumando seu cigarrinho, vendo jornal na TV. Eu costumava acreditar que era um absurdo pensar que você não viveria pra sempre. Eu gostaria de ter tido a chance de te dizer, pessoalmente, que você sempre foi e sempre será meu exemplo de ser humano, de homem, de pai, de avô, de super herói.

Desde pequenas, você sempre foi aquele vô que nos mimava, mas nunca esqueceu de nos ensinar o que era certo e errado também. Foi das tuas mãos que eu peguei meu primeiro cigarro, foi com você que eu entrei pela primeira vez em um bar. Atitudes questionáveis? Seriam, se não tivessem surtado efeito totalmente contrário!

Com teus passeios ao Museu do Ipiranga e a Casa de Santos me nasceram a paixão pela história. Com tuas histórias de infância e sobre sua mãe, me nasceu a paixão pela Espanha e o espanhol. Você me ensinou TANTO!

Eu não tive outro avô pra comparar ou medir o sentimento que eu carrego, mas eu acho que não seria igual, esse é um sentimento único. Você foi e é meu exemplo de ser humano perfeito. Eu sinto sua falta, Didi. A cada momento do dia, a cada conversa, cada menção ao seu nome. É algo que me dói, que rasga fundo, que machuca. Mas é uma dor boa sabe? Porque eu sei que nunca vai me abandonar, você vai estar sempre aqui, me acompanhando, dentro de mim. Te queria aqui do meu lado, agora. Teu carinho discreto, tuas ironias e brincadeiras. Sinto falta imensa meu amor! E esse amor, aquele que é o mais puro, é o que NUNCA vai acabar!
'Porque eu estaria fora de teus pensamentos apenas porque estou fora da tua vida?'
Ah, desculpa pelo post mórbido e profundo, mas tenho sentido falta absurda e dolorosa. =S De qualquer forma, é um post de mim para mim.
Saudações, Bá.









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