segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
    O namorado que eu ainda vou encontrar é um cara diferente. Porque os caras normais não tem a menor graça. A gente vai se encontrar em um parque, no Jardim Botânico talvez. Ou em uma livraria, esbarrando entre uma estante e outra, com pilhas de livros nas mãos. E quando a gente se esbarrasse, os dois nos olhariamos, como se já nos conhecessemos de outra vida, e sorririamos, cúmplices, achando engraçado a distração um do outro. E ele pegaria os livros que eu derrubei no chão, e ao ver ali um Fernando Pessoa, se encantaria por termos algo em comum. Trocariamos telefones. Mas eu, boba, esqueceria aquele papelzinho no fundo da bolsa. E surpreendentemente, ele não esqueceria. E com mais surpresa ainda, ele me ligaria no outro dia e ficariamos no telefone por várias horas, nos descobrindo, descobrindo coisas em comum. Marcaríamos outro encontro, naquele restaurante mexicano que eu tanto adoro, e que por coincidência era o seu favorito também.
    E foi só ali no restaurante, que eu vi a beleza daquilo tudo. Ele estudava engenharia, matemática, algo com números, mas também se interessava  por história e arte. Juntos, falamos sobre Platão, Sartre, Leonor d'Aquitania, Einstein e outras bobagens. Juntos, comemos tacos, nachos e quesadillas. Juntos, enchemos a cara com mojitos e tequila. E rimos. Riamos de tudo, de todos, e parecia que estavamos juntos há mil anos. E entre uma tequila e outra, nos beijariamos. E seria o primeiro beijo mais perfeito que qualquer casal poderia ter dado. E aquela história de sininhos no ouvido quando se beija sua alma gêmea? É, eu ouviria. E esqueceria todas as velhas histórias. Porque nenhuma delas seria nenhum terço do que aquele único beijo foi para mim.
    E ele gostaria das mesmas bobagens que eu. Riria dos meus filmes água com açúcar que me fazem chorar.  E não se importaria de eu voar a semana toda, e estar em casa só em dias alternados. Saberia que o céu era minha maior paixão, e não tentaria competir com isso. Me convidaria para passar os fins de semana olhando o mar, em qualquer praia, desde que estivessemos só nós dois. E nadariamos juntos, brincando com os cabelos um do outro. E ele amaria deitar na grama pra olhar as estrelas de mãos dadas comigo.  E ele faria milhões de piadas sem graça, que me fariam rir do mesmo jeito.
    Nada ou nenhuma sensação se compararia ao amor dele. E juntos seriamos como almas, soltas no céu, voando lado a lado. E eu não precisaria de mais nada. Só daquela companhia. E tudo seria perfeito, com ele comigo.

Nos meus sonhos, quem sabe né?

Saudações,
um beijo

Nenhum comentário:

Postar um comentário